O DIREITO À FANTASIA
Você acredita que tem gente que acha que a imaginação é uma forma de pecado?
Reprimir nossas fantasias é uma amputação.
A gente é o que a gente vive
e também o que a gente delira, sonha...
projeta... inventa...
reconstrói... ousa...
verbos raramente praticados no nosso santificado dia-a-dia. Fantasiar não resume-se a imaginar uma cena de sexo no elevador.
É imaginar-se apartado do cotidiano conhecido, vivendo emoções mais arrebatadas, sendo uma pessoa totalmente diferente do que se é.
Por que só é tolerado no carnaval?
Lantejoula...
paetê...
purpurina...
maquiagem...
pouca roupa...
cores fortes...
a gente tem tudo isso em estoque, nem precisa de produção.
Basta fechar os olhos e enxergar para dentro.
Há milhares de possibilidades de sensações a serem desfrutadas sem prejuízo algum para os outros ou para nós mesmos.
É o mínimo que a gente merece depois de tantos anos de, digamos, trabalhos forçados.
Passamos a vida inteira cumprindo o que esperam de nós, respeitando os sinais de trânsito,
pagando os impostos em dia,
decorando senhas,
sendo gentis,
solidários,
pacientes,
chegando pontualmente ao serviço,
sendo ótimos pais,
ótimos filhos,
fazendo a casa funcionar,
economizando centavos,
cuidando da higiene,
ouvindo desaforos e grosserias de quem não nos compreende e sem esboçar reação alguma...
Levantamos todo santo dia com disposição: da cama pro banho, do banho pro trabalho, dia após dia sem exaurir-se, porque faz parte da vida seguir as regras.
Não há nada de errado com isso, mas....
Mas não há só isso.
E o nosso lado Marylin Monroe? Ou pitbull?
Tudo o que nos fascina, horroriza e diverte.
Por que não experimentar sem sair do lugar?
Fantasiar é inofensivo, saudável e de graça.
Ajuda a perder peso e a não perder o controle.
Muito pelo contrário.
Quem tem medo do próprio pensamento é que já está comprometido.
O direito à fantasia...(AD)